PONTO DO CASTELÃO E OS TIJOLOS TAVARES

O mercado fortalezense de material de construção tem algumas singularidades únicas. Uma delas é a existência de um comércio informal de produtos em algum ponto da cidade. Este “ponto”, semelhante a uma feira livre, funciona como um grande lojão de material de construção. O seu mix que vem sendo modificado de acordo com o mercado ao longo dos anos e atualmente conta com: blocos cerâmicos, tijolos comuns, telhas, gesso, cimento e os agregados (areia, arisco, brita, etc.).

Este ponto deve ter se iniciado nos arredores do centro de Fortaleza nas primeiras décadas do século XX. Os primeiros registros que temos, nas décadas de 1940 e 1950, indica que ele funcionava na Praça Coração de Jesus prevalecendo o comércio de cal, telha comum e colonial, tijolos comum e manilha de barro.

Na década 1960 o ponto foi transferido para a região da Av. Visconde do Rio Branco, na região conhecida como Atapú. Lá era a praça de encontro de diversos comerciantes cearenses e onde a família Tavares começou a fornecer produtos para a construção civil.

Poucos anos depois o ponto foi transferido novamente, desta vez para as margens da BR 116 na região do bairro Aerolândia. A transferência para este novo local é concomitante com os primeiros anos da Cerâmica Tavares. Sendo ele importantíssimo no fortalecimento dos produtos Tavares, onde a qualidade superior aos concorrentes era atestada in loco. Assim foi o início da marca Tavares como sinônimo de qualidade em produtos cerâmicos.

Em meados da década de 1980 ocorreu outra mudança de endereço e o ponto foi para o Castelão. Com o desenvolvimento e o crescimento econômico o ponto no Castelão transformou-se em uma grande praça comercial, tanto atacadista como varejista. Pois não existiam canais mais modernos como vendedores diretos, telefone e até mesmo lojas físicas.

Criando toda uma rede de empregos e funções, desde os revendedores, corretores, ajudantes de cargas. Praticamente todo o material de construção oferecido tinha produtos no Castelão. Telhas de Russas, telhas do Maranhão, tijolos comuns de Trairi, cal de Acarape, gesso de Araripina, areia, areia vermelha, todos os tipos de pedras, alugue de máquinas de pesadas, comércio de entulhos, madeira, cimento e o leque continua. Grandes clientes compravam do Castelão, até mesmo as grandes construtoras.

Nos blocos cerâmicos existiam dois tipos Tavares e não-Tavares. Os blocos oriundos de outras cerâmicas empacavam na feira, não giraram apesar de o preço ser bem inferior. Muitos misturavam os produtos para a vender. Grandes transportadoras e grandes empreendimentos tiveram início nesta feira de material de construção.

 

qwfweb
PONTO ATUAL NA AV. PAULINO ROCHA

Vários fatores contribuíram para esta grande aceitação de produtos Tavares como: qualidade, proximidade com a capital, a flexibilidade de cargas, prazos e muitos outros.

O ponto permaneceu nas proximidades do estádio Castelão até sua última reforma para a Copa do Mundo 2014. Desde o início das reformas o ponto foi transferido para a Av. Paulino Rocha próximo a SEMAM – Secretaria do Meio Ambiente de Fortaleza no bairro Cajazeiras.

A profissionalização da gestão dos mais variados segmentos, as novas vitrines de comércio e suas tendências mercadológicas tornaram a feira obsoleta. Hoje a feira do Casteão, não possui mais a charme do século passado como ponto de encontro – funciona com mercado paralelo de produtos.